Nem toda complicação em um procedimento estético significa que houve erro profissional. Inchaço, assimetrias e outras reações podem acontecer mesmo quando o procedimento é realizado corretamente.

Mas existe uma diferença importante entre uma intercorrência e um erro na prestação do serviço. E a forma como a clínica age diante do problema pode fazer toda a diferença para o paciente e para a segurança jurídica do profissional.

1. Intercorrência ou erro estético: qual é a diferença?

Intercorrência: é uma complicação que pode acontecer mesmo quando o profissional adota os cuidados técnicos necessários. Isso não significa que ele esteja automaticamente livre de responsabilidade: é preciso avaliar o caso concreto, a conduta adotada e a assistência prestada.

Erro profissional: pode ocorrer quando o profissional deixa de observar os cuidados necessários, por exemplo:

A diferença está nas circunstâncias de cada caso. Por isso, é fundamental avaliar não apenas o resultado, mas também a conduta profissional antes, durante e depois do procedimento.

2. O que ajuda a proteger a clínica juridicamente?

A prevenção começa antes mesmo de o procedimento ser realizado.

Algumas medidas importantes são:

Esses cuidados ajudam a demonstrar a conduta adotada, mas não eliminam automaticamente a possibilidade de responsabilização.

3. O paciente apresentou uma complicação. Como agir?

É nesse momento que a postura do profissional faz toda a diferença.

O que fazer:

  1. Acolha o paciente e avalie a situação com rapidez.
  2. Oriente sobre os cuidados necessários e providencie atendimento adequado, inclusive encaminhamento quando indicado.
  3. Registre os sintomas relatados, as avaliações realizadas, as condutas adotadas e a evolução do quadro.
  4. Mantenha uma comunicação clara e respeitosa, explicando os próximos passos.
  5. Procure assessoria jurídica especializada quando houver risco de conflito ou questionamento sobre a conduta profissional.

O que evitar:

É possível acolher o paciente e reconhecer seu sofrimento sem antecipar conclusões sobre a causa da complicação. Não existe uma frase mágica que elimine a responsabilidade jurídica: o mais importante é agir corretamente e documentar a assistência prestada.

4. O TCLE evita processos?

Não. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido é importante para demonstrar que o paciente recebeu informações sobre o procedimento e seus riscos.

Entretanto, ele não autoriza uma conduta inadequada nem isenta o profissional de responsabilidade por eventuais falhas.

O documento precisa refletir os riscos reais do procedimento, ser compreensível e estar acompanhado de uma orientação adequada ao paciente.

Sua clínica tem um protocolo para lidar com intercorrências?

A segurança jurídica não começa quando chega uma notificação judicial. Ela é construída no atendimento, na documentação e nas decisões tomadas diariamente.

Uma assessoria jurídica preventiva ajuda a organizar documentos, protocolos e fluxos de atendimento para que sua clínica esteja mais preparada para lidar com situações delicadas.

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